Compartilhando Ideais

O Secretário de Desporto e Lazer Amauri Carneiro de Viçosa do Ceará ao admirar as sábias palavras escritas pelo Secretário De Esporte e Juventude de Tianguá; Fábio Serrão decide compartilhar esse valioso texto que retrata a realidade do Esporte no Brasil.

Na bagagem, o último pleito eleitoral antes da Copa de 2014, que pelo que observei carregou um desejo enorme de mudança, de busca por novas formas de ação política, novas idéias, novas ações.
Renovação e esperança por um novo tempo.
Claro que haverá muitas e grandes decepções Brasil afora, seja porque a esperança depositada em promessas impagáveis é ato temerário e fadado à frustração, seja porque a esperada renovação administrativa acabe vindo contaminada pela prática política ultrapassada que teima em perdurar e manipular esferas de poder.
Nem sempre separar o joio do trigo é tarefa fácil.
Mas o que interessa na verdade é torcer pelo sucesso e apontar aos novos gestores os caminhos que precisam ser trilhados para o êxito das ações públicas.
Parece-me muito claro, respeitadas aqui as diferenças regionais, econômicas, sociais e culturais deste continental país chamado Brasil, que na grande maioria dos casos a gestão pública precisa, como primeiros passos, usar e abusar da ferramenta ESPORTE.
O Brasil não conhece o Brasil!
O retrato do Brasil é muito maior, muito mais dinâmico, muito mais profundo e complexo do que aquele mostrado na TV, seja o do sucesso ou o mesmo o da miséria, e também muito diferente daquele que acaba sendo tutelado pelos legisladores federais.
Temos uma política pública esportiva deficiente, capenga e ineficaz.
Corro o risco de dizer que não temos uma política pública que permita a massificação do esporte, que trate o esporte como a inestimável ferramenta de inclusão social e formação cidadã que de fato é.
Não ofertamos linhas práticas e fáceis de financiamento esportivo, seja de atleta ou de projeto, como também não temos programas esportivos em sintonia com grande parte de nossa necessidade.
Não ataca a nossa política pública as distorções territoriais fazendo com que programas como bolsa atleta não alcance, em iguais condições, competidores de todo o Brasil, alijados que são de pontuação no ranking nacional pela impossibilidade de, simplesmente, competir nos eventos selecionados pelas confederações esportivas.
Os programas Segundo Tempo e Mais Educação, por exemplo, são sub-aproveitados.
Mas...nem tudo está perdido.
Estamos no momento de construir a ponte e a ponte que precisa ser construída é justamente aquela que liga a inevitável exposição do país ao mundo pelos grandes eventos futuros (Copa das Confederações, Copa do Mundo de Futebol, Olimpíadas e Paraolimpíadas) com as carências esportivas das centenas de municípios brasileiros.
O legado dos grandes eventos, para que seja profícuo impõe que se volte os olhos do poder público, seja ele Municipal (que na verdade é quem esta lado a lado com a população), Estadual ou Federal, à necessidade de liberação de recursos para a formação esportiva dos jovens e crianças, para a necessidade de popularização de modalidades esportivas das mais variadas e para a qualificação adequada de professores e monitores esportivos.
É necessário e urgente que se estabeleça, principalmente na cabeça do gestor público e dos legisladores nacionais, a ideia irremovível de que o esporte transforma comunidades e pessoas, de que o esporte forma homens, cidadãos e atletas, de que o esporte agrega pessoas, derruba muros de intolerância social e se constitui inegavelmente como mecanismo de saúde pública entre outros tantos benefícios.
Também é necessário que o esporte seja visto como uma imensa teia de ações, capaz de atingir crianças, jovens, adultos e idosos, atuando e movimentando a vida escolar, a vida das comunidades, das cidades e das regiões.
Viveremos um momento único e singular no qual toda discussão é necessária e salutar, no qual toda ideia e iniciativa devem ser ouvidas e experimentadas, no qual cada ação exitosa ou potencialmente exitosa precisa ser replicada, difundida, financiada e implantada.
É hora de construirmos uma ponte, não só de concreto, mas de mecanismos concretos para ligar o mega evento com a mega necessidade esportiva desse imenso gigante esportivo chamado Brasil.
Este espaço esta aberto a toda discussão, a todo debate que venha promover, ilustrar, valorizar a ferramenta esportiva na transformação dos homens e na realização dos sonhos dos homens por menor ou maior que venham a ser.
Seja bem vindo, opine, replique, divulgue, contribua na construção da ponte da transformação esportiva.
Fábio Tadeu Nicolosi Serrão 
(Advogado, empresário e gestor esportivo)